Publicidade

O Banco Central (BC) abriu uma investigação interna para apurar o processo de fiscalização e liquidação do Banco Master. A sindicância, iniciada por decisão do presidente do BC, Gabriel Galípolo, é conduzida sob sigilo pela corregedoria da autarquia.

A medida busca obter informações mais claras sobre as últimas questões envolvendo o grupo Master, que foram divulgadas em dezembro de 2025, quando a instituição financeira foi alvo da Operação Compliance Zero da Polícia Federal (PF). A operação prendeu o proprietário do banco, o empresário Daniel Vorcaro, que foi solto posteriormente, mas permanece com tornozeleira eletrônica.

Operação da PF investiga esquema de fraudes

Publicidade

A primeira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 18 de dezembro, investigou um esquema de fabricação e comercialização de carteiras de crédito insubsistentes. A PF apurou a venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master, que emitia Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com promessa de pagar até 40% acima da taxa básica do mercado.

Na ocasião, foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 25 de busca e apreensão em cinco estados e no Distrito Federal.

Segunda fase mira organização criminosa

A segunda etapa da operação, em 14 de janeiro de 2026, teve como objetivo apurar crimes de organização criminosa, gestão fraudulenta, manipulação de mercado e lavagem de capitais. Foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão e determinadas medidas de bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões.

As investigações são conduzidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que também expediu os mandados da segunda fase.

Depoimentos no STF são adiados

A Polícia Federal adiou três depoimentos previstos para a última terça-feira (27) no inquérito do caso Master, após pedido das defesas, que alegaram falta de acesso aos autos. Dos depoimentos agendados, apenas o do ex-diretor do Banco Master, Luiz Antônio Bull, foi mantido, sendo realizado por videoconferência.

As oitivas do ex-superintendente de Operações Financeiras do BRB, Robério Mangueira, e dos ex-sócios ligados ao grupo de Daniel Vorcaro, Ângelo Antônio Ribeiro da Silva e Augusto Lima, seguem sem nova data marcada.

A abertura da investigação interna pelo Banco Central ocorre em um momento de pressão sobre os órgãos reguladores para esclarecer suas responsabilidades no caso, que envolve valores bilionários e múltiplas investigações criminais. O andamento da sindicância da corregedoria do BC é mantido em sigilo.