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Banco Central abre investigação interna sobre fiscalização do Banco Master
Economia e Negócios

Banco Central abre investigação interna sobre fiscalização do Banco Master

Sindicância sigilosa busca esclarecer atuação do BC durante processo de liquidação do banco alvo da PF.

Redação
Redação
29 de janeiro de 2026

O Banco Central (BC) abriu uma investigação interna para apurar o processo de fiscalização e liquidação do Banco Master. A sindicância, iniciada por decisão do presidente do BC, Gabriel Galípolo, é conduzida sob sigilo pela corregedoria da autarquia.

A medida busca obter informações mais claras sobre as últimas questões envolvendo o grupo Master, que foram divulgadas em dezembro de 2025, quando a instituição financeira foi alvo da Operação Compliance Zero da Polícia Federal (PF). A operação prendeu o proprietário do banco, o empresário Daniel Vorcaro, que foi solto posteriormente, mas permanece com tornozeleira eletrônica.

Operação da PF investiga esquema de fraudes

A primeira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 18 de dezembro, investigou um esquema de fabricação e comercialização de carteiras de crédito insubsistentes. A PF apurou a venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master, que emitia Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com promessa de pagar até 40% acima da taxa básica do mercado.

Na ocasião, foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 25 de busca e apreensão em cinco estados e no Distrito Federal.

Segunda fase mira organização criminosa

A segunda etapa da operação, em 14 de janeiro de 2026, teve como objetivo apurar crimes de organização criminosa, gestão fraudulenta, manipulação de mercado e lavagem de capitais. Foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão e determinadas medidas de bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões.

As investigações são conduzidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que também expediu os mandados da segunda fase.

Depoimentos no STF são adiados

A Polícia Federal adiou três depoimentos previstos para a última terça-feira (27) no inquérito do caso Master, após pedido das defesas, que alegaram falta de acesso aos autos. Dos depoimentos agendados, apenas o do ex-diretor do Banco Master, Luiz Antônio Bull, foi mantido, sendo realizado por videoconferência.

As oitivas do ex-superintendente de Operações Financeiras do BRB, Robério Mangueira, e dos ex-sócios ligados ao grupo de Daniel Vorcaro, Ângelo Antônio Ribeiro da Silva e Augusto Lima, seguem sem nova data marcada.

A abertura da investigação interna pelo Banco Central ocorre em um momento de pressão sobre os órgãos reguladores para esclarecer suas responsabilidades no caso, que envolve valores bilionários e múltiplas investigações criminais. O andamento da sindicância da corregedoria do BC é mantido em sigilo.

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