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O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) iniciou o processo de ressarcimento para aproximadamente 800 mil clientes do Banco Master, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central (BC) em novembro de 2025. O montante total a ser pago em garantias chega a R$ 40,6 bilhões, em um dos maiores casos de falência do sistema financeiro brasileiro.

A liquidação ocorreu após a Polícia Federal (PF) desvendar um esquema de fraudes que incluía a venda de créditos falsos ao Banco de Brasília (BRB) no valor de R$ 12,2 bilhões, emissão de títulos de crédito fraudulentos e a venda de carteiras de crédito fictícias. A investigação, batizada de "Operação Compliance Zero", também apura o possível envolvimento de influenciadores digitais em campanhas para desacreditar o BC.

Esquema bilionário e prisões

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A primeira fase da operação, em novembro de 2025, resultou em cinco mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 25 de busca e apreensão. O presidente do banco, Daniel Bueno Vorcaro, foi preso por 12 dias sob suspeita de tentativa de fuga do país no Aeroporto de Guarulhos, com destino a Dubai. Ele foi solto, mas permanece com tornozeleira eletrônica.

Entre os presos preventivamente estão Felipe Cançado Vorcaro (primo e sócio), Nelson Tanure (empresário e investidor) e Fabiano Zettel (cunhado de Vorcaro, preso temporariamente). O juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília, também determinou o afastamento por 60 dias de executivos como Maurício Quadrado, ex-sócio, e Marcelo Mansur, ex-CFO.

Segunda fase da investigação

Em 14 de janeiro de 2026, a PF deflagrou a segunda fase da "Compliance Zero" para apurar crimes de organização criminosa, gestão fraudulenta, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro. Foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão e determinados bloqueios de bens que superam R$ 5,7 bilhões, autorizados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli.

A investigação aponta que o Banco Master emitia Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com a promessa de pagar até 40% acima da taxa básica de juros, em uma operação considerada fraudulenta.

Histórico de crises e expansão arriscada

Fundado em 1974 como Máxima Corretora, o banco, que adotou o nome Master em 2018, já enfrentava problemas desde 2016, perto de falir após uma crise na carteira de crédito imobiliário. Após a reformulação societária, com Vorcaro, Quadrado e Augusto Ferreira Lima como principais sócios (25,89% do capital), a instituição diversificou suas operações.

Em fevereiro de 2024, o Master anunciou a compra da participação majoritária no Will Bank, banco digital com mais de 6 milhões de clientes, elevando sua base para mais de 10,5 milhões de pessoas físicas. A expansão, no entanto, ocorria sobre um modelo de negócios investigado por irregularidades.

Como solicitar o ressarcimento

O limite de cobertura do FGC é de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, abrangendo o valor investido e os rendimentos acumulados até a data da liquidação. O ressarcimento cobre contas-correntes, poupanças, CDBs, LCIs, LCAs e outros produtos.

Até o momento, cerca de 570 mil dos 800 mil credores já solicitaram a devolução, mas apenas 377 mil finalizaram todo o processo. Pessoas físicas devem acessar o aplicativo do FGC, enquanto empresas precisam utilizar o site oficial do fundo para dar entrada no pedido.

O caso segue sob investigação da Polícia Federal e também é alvo de embates entre o Tribunal de Contas da União (TCU) e o STF, que discute a extensão das medidas cautelares e o andamento do processo de liquidação.