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A disputa mais crucial para Israel no conflito com o Hamas não está nos combates em Gaza, mas na esfera da imaginação e da opinião pública internacional, segundo análise publicada pelo Portal iG. Enquanto o grupo terrorista sofre derrotas militares, avança na construção de uma narrativa que acusa Israel de genocídio, distorcendo percepções e alimentando uma nova onda de antissemitismo ao redor do mundo.

Especialistas apontam que, embora a assimetria militar garanta a vitória israelense no campo de batalha, a guerra de ideias é travada silenciosamente em meios de comunicação, universidades e instituições culturais. O Hamas, compreendendo que conflitos modernos são decididos pela percepção global, investiu sistematicamente em moldar a cobertura midiática a partir de Gaza.

Estratégia de narrativa versus ação militar

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Enquanto Israel concentra esforços em operações para reduzir vítimas civis e destruir infraestrutura terrorista, o Hamas adotou a tática de inserir no debate global a acusação moral de genocídio. Essa narrativa, embora careça de base jurídica ou histórica consistente, tem se mostrado emocionalmente eficaz e notavelmente eficiente em influenciar a opinião pública.

O resultado é uma inversão de papéis na percepção internacional, onde Israel passa a ser visto como opressor e o Hamas como uma resistência romantizada. A distinção entre agressor e vítima original do ataque de 7 de outubro de 2023 se dilui, com consequências reais para comunidades judaicas globais.

Antissemitismo em ascensão e ataques a civis

As consequências da guerra narrativa se materializam em diversos países. Universidades registram aumento de intimidações contra estudantes judeus, enquanto sinagogas e centros comunitários reforçam segurança. O ataque em Bondi Beach, na Austrália, ilustra essa realidade, mostrando que a violência antissemita explode longe do campo de batalha, atingindo civis escolhidos simplesmente por serem judeus.

Analistas afirmam que o ressurgimento do antissemitismo não é um efeito colateral, mas parte do objetivo da estratégia do Hamas. Ao acusar Israel, o grupo aciona mitos seculares que retratam judeus como malévolos e poderosos, atingindo não apenas um Estado, mas uma identidade.

O desafio pós-conflito e o teste para as democracias

A guerra militar terá um fim, mas a batalha narrativa persistirá. Reconstruir a imagem de Israel e defender a verdade histórica exigirá um engajamento permanente e corajoso no espaço público, indo além de ações de marketing ou relações públicas.

O que está em jogo, segundo a análise, é a capacidade do mundo de distinguir entre uma democracia que se defende e uma organização terrorista que usa civis como escudos humanos. Um mundo que perde essa distinção perde sua bússola moral, com impactos em salas de aula, ruas e instituições que formam a próxima geração.

A imaginação global tornou-se a nova linha de frente, onde o silêncio equivale à rendição. A narrativa que prevalecer definirá como futuras gerações compreenderão Israel, o povo judeu e os próprios princípios de justiça. Este é descrito como um teste crucial não apenas para Israel, mas para todas as democracias do mundo.