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Em um episódio do "Founder's Podcast" divulgado no domingo (9), o CEO e cofundador da Shopify, Tobi Lütke, criticou a prática comum nas empresas de isolar funcionários com experiência em fundar startups. Ele descreveu essa atitude como criar uma "creche para fundadores", onde esses talentos são colocados à margem das operações principais.

Lütke, que fundou a empresa canadense de comércio eletrônico em 2006, argumentou que as corporações frequentemente falham em reconhecer o potencial de profissionais que já foram empreendedores. "É uma coisa muito especial", disse ele sobre a mentalidade única dos fundadores. "E as empresas rejeitam isso. As empresas os encasulam."

Erro estratégico e correção na pandemia

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O executivo detalhou que o erro está em designar esses profissionais para as chamadas "equipes gambá" ("skunk work teams"), que trabalham em projetos periféricos. "É uma creche para pessoas que te dizem que seu cocô não cheira bem. E seu cocô cheira mal", afirmou Lütke. "Eu digo: 'Não, você não pode colocá-los numa creche de fundadores'".

Ele revelou que essa situação ocorreu dentro da própria Shopify durante a pandemia. Ao perceber o problema, Lütke tomou medidas para dar mais visibilidade aos fundadores das empresas adquiridas pela Shopify, elevando alguns deles acima de outros gerentes. "Tenho um canal no Slack com os fundadores das aquisições da Shopify, onde peço ajuda a eles", compartilhou.

Aquisições e integração de talentos

A Shopify realizou aquisições significativas nos últimos anos, incluindo a empresa de logística Deliverr (2022), a startup de marketing de influência Dovetale (2022) e a plataforma de mensagens no local de trabalho Threads (2024). A estratégia de integração varia: os fundadores da Dovetale e da Threads permanecem em cargos de produto dentro da Shopify, enquanto o CEO da Deliverr deixou a empresa após um ano para iniciar outra startup de logística.

Identificando resiliência em crises

No podcast, Lütke também abordou sua metodologia para identificar funcionários que se adaptam rapidamente e têm bom desempenho em situações de crise. A pergunta-chave que ele faz é: "Você já fundou uma empresa antes?". Para o CEO, essa experiência é um indicador valioso de resiliência e capacidade de resolver problemas complexos, atributos que as empresas deveriam valorizar e integrar em seus núcleos decisórios, e não afastar para projetos secundários.