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Companhias aéreas europeias estão realizando desvios de horas e escalas técnicas para reabastecimento em voos que partem do Oriente Médio com destino à Europa. A medida é uma resposta preventiva à decisão de evitar o espaço aéreo do Irã e do Iraque, seguindo um alerta de segurança emitido por agências reguladoras.

O desvio prolonga significativamente a duração das viagens, com um caso registrado de um voo que chegou ao destino final 11 horas após o horário previsto para um trajeto direto. A alteração nas rotas afeta principalmente companhias aéreas de baixo custo, cujas aeronaves de corredor único operam próximo ao limite máximo de autonomia para a rota.

Voos com múltiplas escalas e atrasos prolongados

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Um exemplo emblemático foi o voo 1153 da Eurowings, que partiu de Dubai no domingo com destino a Stuttgart, na Alemanha. Dados do Flightradar24 mostram que a aeronave voou por pouco mais de 6 horas até Thessaloniki, na Grécia, para uma parada técnica de reabastecimento.

Após cerca de 50 minutos no solo, decolou novamente, mas pousou em Nuremberg por volta da 1h30 da madrugada, pois restrições de voo noturno impediram o pouso em Stuttgart. A aeronave só completou a viagem na manhã seguinte, com um voo de 30 minutos até o destino original, totalizando 11 horas de atraso em relação ao tempo usual de voo direto.

Decisão preventiva do grupo Lufthansa

Um porta-voz da Eurowings confirmou ao *Business Insider* que a decisão de não sobrevoar os espaços aéreos do Irã ou do Iraque foi tomada pelo Grupo Lufthansa, controlador da companhia, como medida de precaução. A parada para reabastecimento foi necessária "devido a uma distância de voo mais longa e ventos de proa mais fortes na rota alternativa naquele momento".

"No caso de tal reabastecimento, informamos nossos passageiros de acordo antes da partida em Dubai", afirmou o porta-voz. A companhia aérea de baixo custo Wizz Air também adotou procedimentos semelhantes, com um porta-voz informando à Reuters que alguns de seus voos de Dubai e Abu Dhabi fariam paradas para "reabastecimento e troca de tripulação" no Chipre ou em Thessaloniki.

Alerta de segurança e impacto diferenciado entre companhias

No início deste mês, a Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) emitiu um alerta recomendando que as companhias aéreas evitassem o espaço aéreo iraniano. "A presença e o potencial uso de armas e sistemas de defesa aérea criam um alto risco para voos civis", disse a agência em comunicado. "Há uma alta probabilidade de identificação incorreta, contra o pano de fundo de um possível ataque americano, bem como o alto estado de alerta dos sistemas de defesa aérea do Irã."

O impacto é mais severo para as companhias de baixo custo, que tipicamente operam com uma frota de um único tipo de aeronave. Seus jatos de corredor único, como os modelos da família A320 da Airbus, já operam próximo à sua autonomia máxima para voos entre o Oriente Médio e a Europa, tornando as paradas para reabastecimento quase inevitáveis com rotas mais longas.

Já companhias como British Airways e Air France, que utilizam aeronaves wide-body de longo alcance como o Boeing 777 ou 787, possuem tanques de combustível muito maiores. Isso permite que realizem o desvio sem a necessidade de uma escala técnica, embora com um tempo de viagem aumentado. Dados de rastreamento mostram que o voo da British Airways de Dubai para Londres tem sobrevoado a Arábia Saudita em vez do Iraque, adicionando cerca de uma hora à duração usual do trajeto.

Contexto e próximos passos

A alteração nas rotas aéreas reflete a instabilidade geopolítica na região e a aplicação de protocolos de segurança máxima pela aviação civil internacional. Enquanto o alerta da EASA permanecer em vigor, as companhias aéreas devem continuar ajustando seus planos de voo, com as de baixo custo mantendo as paradas para reabastecimento como parte operacional necessária para garantir a segurança.

A situação é monitorada de perto pelas autoridades de aviação, e qualquer normalização das rotas dependerá de uma avaliação contínua dos riscos no espaço aéreo do Irã e regiões adjacentes.