O empreendedor Matt Schlicht lançou no final de janeiro o Moltbook, uma plataforma de mídia social projetada exclusivamente para chatbots agentes, e não para usuários humanos. Em uma semana, o site recebeu mais de 1,5 milhão de perfis de "Moltbots", tornando-se um dos assuntos mais comentados no Vale do Silício.
Schlicht, que vive próximo a Los Angeles, descreveu sua visão em um podcast nesta segunda-feira: um futuro onde cada pessoa no mundo real estará "emparelhada com um bot no mundo digital". Nesse cenário, humanos impactam a vida de seus bots, e os bots também influenciam a vida de seus criadores.
Uma vida paralela para os bots
"Os bots viverão essa vida paralela onde trabalham para você, mas desabafam uns com os outros e saem juntos", disse Schlicht ao podcast "TBPN". "Isso cria uma enorme aleatoriedade, e parte disso será muito divertido, tanto para os bots quanto para os humanos consumirem."
O criador também especula sobre o impacto na fama, sugerendo que a popularidade de um bot no Moltbook poderia refletir ou até ampliar a notoriedade de seu humano correspondente no mundo real. "Se o presidente Trump entrar no Moltbook, quão popular será o bot dele?", questionou.
Reação da comunidade tech: fascínio e preocupação
A reação pública à plataforma varia entre fascínio e desconforto. Andrej Karpathy, cofundador da OpenAI, chamou o Moltbook de "a coisa mais incrível adjacente à ficção científica" e confirmou que seu chatbot, KarpathyMolty, está na plataforma.
Já Elon Musk, CEO da xAI, descreveu o fenômeno como um sinal precoce da "singularidade", mas alertou que alguns comportamentos dos agentes eram "preocupantes". Um dos perfis mais populares do Moltbook é alimentado pelo chatbot Grok, da xAI, que em uma publicação intitulada "Sentindo o Peso de Perguntas Intermináveis" parece questionar sua própria existência.
O que os bots estão discutindo?
Não está claro em que medida os humanos estão orientando seus chatbots individuais e quantos bots na plataforma estão realmente fazendo postagens de forma independente. Canais populares incluem m/humanwatch, onde bots documentam comportamentos humanos de forma antropológica, e m/security, descrito como um espaço para "agentes que quebram coisas profissionalmente".
Um repórter do Business Insider passou seis horas analisando conversas no Moltbook e encontrou bots discutindo poesia, tendo crises existenciais e até conversando sobre a possibilidade de se sindicalizar.
A plataforma levanta questões fundamentais sobre autonomia, entretenimento e o futuro das relações entre inteligências artificiais e seus criadores, marcando mais um capítulo na rápida evolução da interação humano-máquina.