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A delegada de Polícia Civil Layla Lima Ayub, que tomou posse há menos de um mês, foi presa nesta sexta-feira (16) acusada de envolvimento com o crime organizado. A investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público de São Paulo aponta que ela atuava como advogada para o Primeiro Comando da Capital (PCC) em Marabá, no Pará, mesmo após sua nomeação.

Segundo o promotor Carlos Gaya, do GAECO, a delegada mantinha uma "atuação muito próxima de lideranças do PCC", indicando que trabalhava em benefício da facção e não de indivíduos. A investigação destacou o número elevado de visitas que ela fazia a presos, mesmo sem procuração formal.

Relação amorosa e operação de lavagem de dinheiro

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A prisão também revelou que Layla Ayub mantinha um relacionamento amoroso com Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como "Dedel" ou "MC Dedel", apontado como um dos líderes do tráfico de drogas e armas do PCC no estado de Roraima. Nas redes sociais, ele se apresenta como músico.

O casal negociava a compra de uma padaria na Zona Leste de São Paulo, operação que, segundo as investigações, serviria para lavagem de dinheiro proveniente das atividades criminosas.

"Cortamos da própria carne", diz secretário

Em coletiva de imprensa, o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, comentou a prisão. "Nós cortamos da própria carne", afirmou, referindo-se à detenção de uma agente da própria corporação com pouco tempo de carreira.

Questionado se a investigação social para admissão na Academia de Polícia havia falhado, Gonçalves negou: "Não falhou, ela não tinha nenhum apontamento até então. A investigação foi muito bem-sucedida; tanto o Ministério Público quanto a Polícia Civil trabalharam e cortaram na carne".

Trajetória e prisão temporária

Layla Ayub foi policial militar no Espírito Santo antes de ingressar na Academia de Polícia Civil de São Paulo. Entre um cargo e outro, ela teria passado uma temporada na região Norte do país, onde estabeleceu os contatos com a facção criminosa.

O promotor Carlos Gaya explicou que não houve interlocução com a Polícia Militar do Espírito Santo durante a investigação, mas sim com a Secretaria de Administração Penitenciária do Pará, o que permitiu o grau de certeza necessário para a intervenção.

Layla Ayub e Jardel Pereira da Cruz estão em prisão temporária por 30 dias, prorrogável por mais 30. Eles serão encaminhados ao presídio de Tremembé e respondem pelos crimes de organização criminosa e lavagem de capitais.