O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) começou a divulgar, nesta sexta-feira (19), centenas de milhares de documentos relacionados às investigações sobre o financista Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais contra menores. A liberação atende ao prazo estabelecido pela Lei de Transparência dos Arquivos Epstein, sancionada pelo presidente Donald Trump em novembro após pressão pública e do Congresso.
O vice-procurador-geral Todd Blanche afirmou, em entrevista ao programa "Fox and Friends", que a expectativa é que mais centenas de milhares de páginas sejam divulgadas nas próximas semanas. Parlamentares democratas se opuseram à liberação parcial dos arquivos no mesmo dia.
Proteção das vítimas é prioridade, diz Departamento de Justiça
Todd Blanche ressaltou que o foco do DOJ é proteger as vítimas durante o processo de revisão. "O que estamos fazendo é analisar cada documento que vamos produzir, garantindo que cada vítima, seu nome, sua identidade, sua história, na medida em que precisa ser protegida, está completamente protegida", declarou.
A nova lei autoriza o Departamento de Justiça a omitir informações que identifiquem vítimas e a manter sob sigilo documentos que possam comprometer investigações federais em andamento. Uma decisão judicial do Distrito Sul de Nova York exigiu que o DOJ comprovasse que a revisão protege integralmente as identidades, o que, segundo Blanche, impactou parcialmente o cronograma inicial.
Conteúdo dos arquivos e andamento das investigações
Os documentos a serem liberados incluirão fotografias e outros materiais associados a todas as investigações sobre Epstein. Para acelerar a revisão dos papéis, o DOJ recrutou dezenas de advogados da Divisão de Segurança Nacional.
Questionado sobre a possibilidade de novas acusações criminais surgirem com a divulgação, Blanche afirmou que as investigações continuam, mas que não há novas acusações previstas no momento.
Contexto do caso e reações políticas
Após sancionar a lei, o presidente Donald Trump fez postagens em redes sociais sugerindo que os documentos poderiam revelar ligações de políticos democratas com Epstein. Trump foi amigo do financista no passado, até um desentendimento por volta de 2004. Críticos questionaram a motivação do ex-presidente e o peso de seu próprio nome nos arquivos.
Jeffrey Epstein possuía grandes propriedades em Nova York, Palm Beach, Novo México e duas ilhas particulares nas Ilhas Virgens Americanas, locais onde teria atraído menores para abusos sexuais. Em 2008, cumpriu 13 meses de prisão após um polêmico acordo de não acusação em Miami. Em 2019, foi indiciado pela Promotoria do Distrito Sul de Nova York por explorar sexualmente dezenas de meninas, algumas com 14 anos. Epstein morreu por suicídio em agosto de 2019 em uma prisão de Nova York enquanto aguardava julgamento.