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Editoras musicais processam Anthropic por US$ 3 bilhões por pirataria de 20 mil obras
Ciência e Tecnologia

Editoras musicais processam Anthropic por US$ 3 bilhões por pirataria de 20 mil obras

Processo alega que empresa de IA baixou ilegalmente músicas e partituras para treinar seus modelos, em ação que pode ser uma das maiores da história dos EUA.

Redação
Redação
29 de janeiro de 2026

Um grupo de editoras musicais, liderado pela Concord Music Group e pela Universal Music Group, entrou com uma ação judicial contra a empresa de inteligência artificial Anthropic nesta quarta-feira (18). A alegação é de que a companhia baixou ilegalmente mais de 20 mil músicas protegidas por direitos autorais, incluindo partituras, letras e composições, para treinar seus modelos de IA.

Segundo comunicado das editoras, os danos podem ultrapassar US$ 3 bilhões, o que configuraria um dos maiores processos de direitos autorais não coletivos da história dos Estados Unidos. A ação também cita como réus o CEO da Anthropic, Dario Amodei, e o cofundador Benjamin Mann.

Histórico de disputas legais

O processo foi movido pela mesma equipe jurídica do caso Bartz vs. Anthropic, no qual um grupo de autores de ficção e não ficção acusou a empresa de usar suas obras protegidas para treinar produtos como o Claude. Naquela ocasião, o juiz William Alsup decidiu que é legal para a Anthropic treinar seus modelos com conteúdo protegido, mas destacou que não é legal adquiri-lo por meio de pirataria.

O caso Bartz resultou em uma indenização de US$ 1,5 bilhão para a Anthropic, com os escritores impactados recebendo cerca de US$ 3 mil por obra, em um universo de aproximadamente 500 mil trabalhos. Apesar do valor expressivo, a multa não é considerada incapacitante para uma empresa avaliada em US$ 183 bilhões.

Ampliação da acusação

Inicialmente, as editoras musicais haviam processado a Anthropic pelo uso de cerca de 500 obras protegidas. No entanto, durante o processo de descoberta de provas no caso Bartz, elas afirmam ter descoberto que a empresa havia baixado ilegalmente milhares de outras músicas.

As editoras tentaram modificar a ação original para incluir as alegações de pirataria, mas o tribunal negou o pedido em outubro, argumentando que elas não investigaram as acusações anteriormente. Essa decisão levou ao ajuizamento deste processo separado.

"Enquanto a Anthropic afirma enganosamente ser uma empresa de 'segurança e pesquisa' em IA, seu histórico de torrent ilegal de obras protegidas deixa claro que seu império de negócios multibilionário foi, na verdade, construído sobre a pirataria", afirma a petição inicial do processo.

Contexto e próximos passos

A Anthropic não respondeu ao pedido de comentário da TechCrunch até a publicação desta matéria. A ação judicial ocorre em um momento de intenso debate sobre os limites do uso de dados protegidos para o treinamento de modelos de inteligência artificial, com várias indústrias criativas buscando proteger seus direitos autorais.

O desfecho deste caso pode estabelecer um precedente significativo para a relação entre a indústria de tecnologia e a de conteúdo, definindo os parâmetros legais para o uso de obras intelectuais no desenvolvimento de sistemas de IA.

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