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O mercado de inteligência artificial (IA) vive uma bolha especulativa de proporções "planetárias", cujo estouro terá consequências catastróficas para investidores institucionais e individuais. O alerta foi feito por Erik Gordon, professor de empreendedorismo da Ross School of Business da Universidade de Michigan, em entrevista ao site Business Insider.

Gordon apontou a recente queda de mais de 6% nas ações da Microsoft, apesar de a empresa ter superado as expectativas de lucro, como um sinal de alerta. A queda, segundo ele, está diretamente ligada aos "caminhões de dinheiro" que a gigante de software está investindo no setor.

Investimentos bilionários alimentam a bolha

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Os números comprovam a escalada dos investimentos. O fluxo de caixa líquido usado em investimentos pela Microsoft disparou 95% no comparativo anual, ultrapassando US$ 57 bilhões nos seis meses encerrados em dezembro. Esse salto foi impulsionado pela aquisição de US$ 49 bilhões em propriedades e equipamentos, como data centers para suportar a demanda por IA.

Antes da desvalorização pós-resultados, as ações da Microsoft haviam praticamente dobrado desde o início de 2023, elevando o valor de mercado da companhia para mais de US$ 3,5 trilhões.

Valorações exorbitantes no setor

Outras empresas do ecossistema de IA apresentaram valorizações ainda mais vertiginosas. As ações da fabricante de chips Nvidia multiplicaram-se por 13 no mesmo período, dando à empresa uma capitalização de mercado próxima de US$ 4,7 trilhões – mais de 20 vezes sua receita projetada para o ano fiscal encerrado em 25 de janeiro.

A Palantir, empresa de análise de dados, viu suas ações saltarem cerca de 25 vezes, resultando em um valor de mercado de US$ 375 bilhões, o que equivale a aproximadamente 85 vezes sua receita estimada para 2025.

Alerta para um estouro inevitável

"A bolha da IA é quase tão grande quanto o planeta Júpiter", afirmou Gordon. "Quando estourar, os destroços estarão por toda parte. Grandes investidores institucionais serão atingidos, assim como os investidores individuais que apostaram que a bolha ficaria ainda maior."

Em comunicado na semana passada, o professor ponderou que não espera o estouro imediato da bolha nos próximos meses, pois os investidores ainda têm capital suficiente para "sustentá-la" e os avanços tecnológicos permanecem "empolgantes o suficiente para distrair" das avaliações irracionais.

Contudo, Gordon já havia soado o alarme anteriormente sobre uma bolha de "supervalorização de uma ordem de grandeza" e alertou que, quando ela estourar, o "sofrimento será mais doloroso" para os investidores do que o rescaldo da bolha das pontocom.