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A ex-diretora de marketing e cofundadora da Chief, Lindsay Kaplan, anunciou sua entrada como sócia-venture no fundo de capital de risco Bullish. A mudança de carreira ocorre após ela deixar o cargo de chief brand officer na Chief, empresa de networking para mulheres, no ano passado. O objetivo de Kaplan é usar sua experiência para orientar fundadores de startups de consumo sobre como construir marcas que gerem cultura e atenção genuína.

Em entrevista exclusiva ao Business Insider, Kaplan afirmou que, no cenário atual, dinheiro para marketing não é suficiente. "Você pode ter todo o dinheiro do mundo para colocar no algoritmo e comprar anúncios", disse Kaplan. "Mas se você não tiver o fundador certo, que seja capaz de construir uma comunidade e a atenção necessária para criar um produto real que as pessoas queiram, todo esse dinheiro... não tem significado."

Foco em problemas humanos e não no "hype" da IA

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O fundo Bullish, conhecido por investir em sucessos como Warby Parker, Harry's, Peloton e Casper — antigo empregador de Kaplan —, foca em startups em estágio inicial, geralmente do pré-seed à Série A. Kaplan declarou interesse especial em categorias que abordam questões humanas fundamentais, como solidão, relacionamentos, parentalidade, saúde, identidade e pertencimento.

Ela vê a inteligência artificial como uma ferramenta potencial para essas áreas, mas alerta para o risco de supervalorização. "A IA pode ser uma ferramenta para ajudar nesses problemas", disse Kaplan, acrescentando que está ciente de que "nem toda IA será um sucesso com pessoas reais".

A estratégia contrária para se destacar

Para Kaplan, a chave para o sucesso é "romper o ruído" em mercados saturados. Ela defende que os fundadores precisam mudar o foco de convencer investidores para entender o que faz um cliente se importar. Em setores como o de IA para consumidores, ela observa uma estratégia eficaz: não liderar com o discurso tecnológico.

"As melhores marcas que estão surgindo estão usando IA, mas não necessariamente baseiam totalmente sua startup nela", explicou Kaplan. Como exemplo, citou a Rocco, marca de geladeiras inteligentes na qual investiu. "É uma geladeira inteligente, mas a marca não lidera com 'eletrodoméstico com IA', lidera com design e funcionalidade. A IA torna o produto melhor sem se tornar sua identidade."

Distribuição conquistada, não comprada

Kaplan aponta a economia dos criadores de conteúdo como o fator que "reescreveu quem controla a distribuição" nas redes sociais. "Os primeiros adeptos realmente se tornaram os criadores", afirmou. Segundo ela, a grande questão para as startups não é mais apenas o custo de aquisição de cliente (CAC), mas "quem levará a história para o mundo e por que alguém ouviria?".

"A distribuição não é mais algo que você pode comprar", concluiu Kaplan. "Você tem que conquistá-la." A entrada de Kaplan no Bullish representa uma aposta do fundo em expertise de marca e comunidade para identificar e escalar as próximas grandes empresas de consumo.