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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), cobrou publicamente do governo federal uma intervenção na Enel, concessionária responsável pela distribuição de energia na Grande São Paulo e capital. A exigência foi feita em meio a uma série de falhas no fornecimento que deixaram milhões de consumidores no escuro por dias consecutivos.

Em nota oficial divulgada nesta segunda-feira (15), o governador expressou preocupação com a possibilidade de o Governo Federal prorrogar a concessão da Enel São Paulo por mais 30 anos. O contrato atual, gerido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em nome da União, tem previsão de término em 2028.

Serviço considerado inadequado

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Tarcísio de Freitas foi enfático ao afirmar que "os paulistas não podem continuar reféns de um serviço essencial prestado de forma inadequada". Ele argumentou que as interrupções recorrentes e prolongadas evidenciam "a incapacidade técnica, operacional e gerencial da concessionária e o fracasso do atual modelo federal em avaliar a qualidade da prestação do serviço".

O governador detalhou os prejuízos: em 2023 e 2024, milhões de paulistas ficaram sem energia por seis e sete dias consecutivos, afetando famílias, comércio, hospitais, escolas e serviços públicos. No episódio mais recente, iniciado em 9 de dezembro, mais de 2,2 milhões de consumidores foram impactados.

Histórico de penalidades e reclamações

A nota do governo estadual apresentou um histórico de problemas. Entre 2024 e 2025, a Enel registrou a maior média mensal de reclamações na Ouvidoria da Aneel entre as concessionárias paulistas. Além disso, seis dos sete Planos de Resultados entre 2020 e 2023 foram reprovados.

Multas superiores a R$ 400 milhões foram aplicadas nos últimos sete anos, sem melhora efetiva do serviço. A Aneel confirmou ao Portal iG que, desde 2020, a Enel já recebeu R$ 374 milhões em multas por má prestação de serviços na sua área de concessão.

Fiscalização estadual e base legal

O Governo do Estado de São Paulo afirmou que tem atuado por meio da Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp), com fiscalização permanente e aplicação de penalidades dentro de sua competência. Relatórios da Arsesp, com registros fotográficos, apontam a "precarização da rede de distribuição".

Tarcísio citou o artigo 6º da Lei Federal 8.987/95, que define serviço adequado como aquele que satisfaz as condições de regularidade, continuidade e eficiência. "Diante desse quadro, observamos que a legislação não está sendo cumprida", completou.

Pedido formal de intervenção

O comunicado do governador pede que o Ministério de Minas e Energia atue com "máximo rigor" e declare intervenção na concessão, conforme prevê a Lei Federal 12.767/2012. Esta lei permite que o poder concedente, por intermédio da Aneel, intervenha para assegurar a prestação adequada do serviço e o cumprimento das normas.

"A energia elétrica é base da vida cotidiana e da atividade econômica. O consumidor paulista vem primeiro. São Paulo exige respeito", finalizou Tarcísio.

Outras penalidades e falta de posicionamento

Também nesta segunda-feira, o Procon Paulistano divulgou a aplicação de uma multa de quase R$ 14,3 milhões à Enel por falhas na prestação do serviço decorrentes do vendaval da semana passada.

O Portal iG entrou em contato com a Enel solicitando um posicionamento sobre o comunicado do Governo Estadual, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço para manifestação segue aberto.