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Aviaja Fontain, uma mãe de 40 anos nascida e criada na capital da Groenlândia, Nuuk, expressou temor e rejeição à possibilidade de o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump anexar o território autônomo dinamarquês. Em declarações ao Business Insider, Fontain descreveu a apreensão que sentiu após a ação militar americana na Venezuela, temendo uma invasão iminente à Groenlândia, que tem cerca de 56 mil habitantes.

O interesse de Trump pela aquisição da Groenlândia, manifestado publicamente durante seu mandato, levou à ameaça de imposição de novas tarifas a países europeus, incluindo a Dinamarca, até que um acordo fosse alcançado. Em resposta, a Casa Branca, por meio da vice-secretária de imprensa Anna Kelly, defendeu a ideia como uma medida para fortalecer a segurança nacional dos EUA e da OTAN.

Medo de invasão e presença militar

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"Os primeiros dias após o ataque [à Venezuela], claro, foi assustador. Eu me senti como se estivéssemos todos apenas esperando para ser invadidos. Eu continuei olhando para os aviões para ver se eram soldados americanos", relatou Aviaja Fontain. Ela também observou um aumento na presença de oficiais dinamarqueses em treinamento no Ártico e perto de Nuuk, o que classificou como uma sensação estranha para os groenlandeses.

Para lidar com o medo, Fontain repete para si mesma que Trump não tem qualquer direito legal de anexar a Groenlândia. Ela chegou a considerar organizar um protesto, mas foi impedida pelos compromissos com seus estudos e exames.

Preocupação ambiental e cultural

A moradora de Nuuk expressou profunda preocupação com o impacto ambiental de uma eventual exploração de recursos pela administração Trump. "Muitos de nós, groenlandeses, amamos muito a natureza, então é importante para nós que possamos caminhar nas montanhas, onde é tão pacífico e silencioso. Eu temo que Trump tentará assumir o controle da Groenlândia, procurar minerais raros e petróleo, e tudo isso desaparecerá", afirmou.

Fontain enfatizou o desejo de paz e o direito à autodeterminação: "Nós somos pessoas. Temos direitos. Temos uma cultura. Você não pode simplesmente tomar isso e comprar". Ela também alertou para o risco de um novo trauma geracional, lembrando a colonização inicial pela Dinamarca.

Resposta oficial e futuro incerto

Em comunicado por e-mail ao Business Insider, a vice-secretária de imprensa da Casa Branca, Anna Kelly, justificou o interesse de Trump. "Muitos dos predecessores deste presidente reconheceram a lógica estratégica de adquirir a Groenlândia, mas apenas o presidente Trump teve a coragem de perseguir isso seriamente. Como o presidente disse, a OTAN se torna muito mais formidável e eficaz com a Groenlândia nas mãos dos Estados Unidos, e os groenlandeses seriam melhor servidos se protegidos pelos Estados Unidos contra ameaças modernas na região do Ártico", escreveu Kelly.

Questionada sobre o que faria em caso de anexação, Aviaja Fontain admitiu que talvez tivesse que fugir da capital, mas afirmou à sua mãe que provavelmente nunca deixaria Nuuk. Sobre a relação com a Dinamarca, ela revelou que muitos groenlandeses desejam a independência, mas "quando estivermos prontos". Seu filho de 19 anos, por sua vez, declarou que lutaria por seu país e seus conterrâneos groenlandeses se algo acontecesse.