A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, e seu irmão Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional, negociaram com autoridades dos Estados Unidos antes da captura do ditador Nicolás Maduro, em 3 de janeiro. Segundo reportagem do jornal britânico The Guardian publicada nesta quinta-feira (22), os irmãos garantiram que cooperariam com o governo do presidente Donald Trump após a queda de Maduro.
As informações são baseadas em quatro fontes envolvidas nas negociações. Os contatos entre Delcy Rodríguez, então vice-presidente de Maduro, e os americanos teriam começado em setembro do ano passado e continuado após uma ligação entre Maduro e Trump, em novembro. Em dezembro, uma fonte afirmou ao jornal que Delcy disse a autoridades dos EUA que Maduro "precisava sair" e que ela "lidaria com as consequências".
Cooperação limitada e posse interina
As mesmas fontes afirmam, no entanto, que os irmãos Rodríguez não concordaram em ajudar ativamente os Estados Unidos a derrubar Maduro. A cooperação prometida seria apenas para o período pós-captura. Delcy Rodríguez assumiu como presidente interina do país na segunda-feira (5), um dia após a operação americana em Caracas, em cerimônia na Assembleia Nacional que contou com a posse de 283 parlamentares eleitos em maio de 2025.
A única ausente na sessão foi a primeira-dama Cilia Flores, que foi capturada junto com Maduro. A Casa Branca e o governo venezuelano foram procurados pelo The Guardian para comentar as acusações, mas não responderam.
Outras aproximações e convite de Trump
Nesta quarta-feira (21), a Casa Branca confirmou que Delcy Rodríguez foi convidada por Donald Trump para visitar os Estados Unidos, mas uma data ainda não foi definida. A reportagem também revela que autoridades do governo Trump mantinham contato com o ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, meses antes da operação em janeiro.
Cabello, que foi citado na mesma acusação de tráfico de drogas dos EUA usada para justificar a prisão de Maduro, não foi detido durante a ação. Segundo as informações, a aproximação começou no início do governo Trump e continuou após a deposição do ditador. O ministro nega as alegações.