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Justiça condena Pablo Marçal por fake news contra Guilherme Boulos em campanha

Justiça condena Pablo Marçal por fake news contra Guilherme Boulos em campanha

Influenciador divulgou laudo médico falso associando deputado a uso de drogas às vésperas do primeiro turno.

Redação
Redação
2 de fevereiro de 2026

O empresário e influenciador político Pablo Marçal (PRTB) foi condenado pela Justiça de São Paulo a pagar indenização por danos morais ao deputado federal Guilherme Boulos (PSOL). A decisão, do juiz Danilo Fadel de Castro, concluiu que Marçal divulgou deliberadamente fake news durante a campanha à Prefeitura de São Paulo em 2024.

O ponto central do processo foi a publicação de um suposto laudo médico que apontaria "surto psicótico grave" em Boulos decorrente do uso de cocaína. Perícias da Polícia Civil e da Polícia Federal atestaram que o documento era falso e trazia a assinatura forjada de um médico já falecido.

Divulgação dolosa e contexto eleitoral

Para o magistrado, houve dolo na divulgação, agravado pelo alcance das redes sociais e pelo contexto eleitoral. A sentença afirma que o debate político admite críticas duras, mas não autoriza a fabricação e disseminação consciente de mentiras com potencial de destruir a honra do adversário.

A defesa de Marçal alegou liberdade de expressão e disse que o influenciador apenas reproduziu conteúdo recebido de terceiros, sem tê-lo produzido. A tese, no entanto, não foi acolhida pela Justiça.

Precedente para campanhas e redes sociais

A decisão estabelece que ataques pessoais baseados em documentos falsos extrapolam a crítica política e geram responsabilização civil, mesmo quando praticados no calor de uma disputa eleitoral. O entendimento cria um precedente relevante para campanhas futuras e para o uso de redes sociais por candidatos.

O processo também afastou o argumento de que o caso deveria ser julgado pela Justiça Eleitoral. O juiz Danilo Fadel de Castro manteve a competência da Justiça comum, pois a reparação por dano moral é matéria de sua alçada.

Indenização e próximos passos

A indenização foi fixada em valor considerado proporcional à gravidade do dano e ao alcance da ofensa. O iG procurou as assessorias de Guilherme Boulos e Pablo Marçal para comentar a decisão e aguarda retorno.

Além do laudo falso, Boulos relatou no processo ter sido alvo de uma campanha difamatória contínua, que incluía apelidos pejorativos e gestos insinuando uso de cocaína durante a campanha eleitoral.

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