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Enquanto gigantes da tecnologia como Atlassian e Coinbase anunciam demissões em massa atribuídas à inteligência artificial, um dos maiores nomes do setor está nadando contra a corrente. E o motivo vai te surpreender.

Dois terços do código já são de máquinas — mas o chefe não está feliz

Tony Xu, fundador e CEO do DoorDash, soltou uma bomba durante a última teleconferência de resultados da empresa. Segundo ele, cerca de dois terços de todo o código escrito atualmente é gerado por inteligência artificial. Um número de cair o queixo, certo? Mas a reação dele não foi a que o mercado esperava.

“Estamos vendo enormes ganhos de produtividade com a IA. Mas isso, por si só, não diz como as equipes e os fluxos de trabalho devem mudar”, afirmou Xu. Ele deixou claro que, antes de pensar em cortar cabeças, a companhia tem duas prioridades muito mais urgentes.

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O que vem antes da demissão: unificação e alfabetização em IA

A primeira missão, segundo o CEO, é unificar toda a empresa em uma única pilha de tecnologia. “A prioridade máxima agora é garantir que todas as equipes estejam no mesmo barco tecnológico”, explicou. A segunda? Garantir que todos na empresa — não apenas os engenheiros — se tornem tão capacitados em IA quanto qualquer especialista.

É uma estratégia que contrasta fortemente com a de outras big techs. Em março, a Atlassian anunciou o corte de 1.600 empregos, cerca de 10% de sua força global. “Seria desonesto fingir que a IA não muda a combinação de habilidades de que precisamos ou o número de funções necessárias em certas áreas”, escreveu o CEO Mike Cannon-Brookes aos funcionários.

No mesmo tom, o CEO da Coinbase, Brian Armstrong, demitiu 700 pessoas (14% do quadro) na terça-feira. Em um e-mail divulgado no X, ele citou dois motivos: mercado volátil e a IA. “No último ano, vi engenheiros usarem IA para entregar em dias o que antes levava semanas com uma equipe inteira”, escreveu Armstrong.

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Produtividade maior, padrão mais alto: a armadilha do consumidor

Tony Xu, no entanto, levanta uma questão incômoda que muitos executivos parecem ignorar: “Estamos sendo mais produtivos e enviando mais código. Mas a pergunta final que tenho é: estamos realmente entregando melhores resultados para os clientes?”

Segundo ele, os consumidores do DoorDash estão cada vez mais exigentes. A tecnologia pode acelerar a entrega de funcionalidades, mas o garfo e a faca do cliente não perdoam. Mais código não significa, necessariamente, melhor experiência.

Enquanto o mercado olha para a IA como uma ferramenta de corte de custos e cabeças, Xu parece enxergá-la como um catalisador para elevar o nível de todos os funcionários. A pergunta que fica é: essa abordagem mais humana vai se pagar no longo prazo? Ou, em algum momento, a conta vai chegar?