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A maioria dos presidentes de empresas (CEOs) no mundo ainda não conseguiu transformar os investimentos em inteligência artificial (IA) em benefícios financeiros concretos para seus negócios. É o que revela a mais recente pesquisa global da consultoria PwC, divulgada nesta segunda-feira (15), paralelamente ao início do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.

O levantamento, que ouviu 4.454 executivos-chefes em 95 países e territórios entre outubro e novembro de 2025, aponta que 56% dos entrevistados afirmam que a IA não gerou ganhos de receita ou redução de custos para suas empresas até o momento. Apenas 12% relataram ter alcançado ambos os benefícios – aumento de receita e diminuição de despesas – nos últimos 12 meses.

Executivos bem-sucedidos investiram em bases sólidas

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Segundo a PwC, os 12% de CEOs que obtiveram retorno financeiro duplo com a IA são de duas a três vezes mais propensos a ter construído uma base sólida para a tecnologia. Isso significa que eles integraram a IA extensivamente em produtos, serviços, geração de demanda e tomada de decisões estratégicas.

"Um pequeno grupo de empresas já está transformando a IA em retornos financeiros mensuráveis, enquanto muitas outras ainda lutam para ir além dos projetos-piloto", afirmou Mohamed Kande, presidente global da PwC, em comunicado à imprensa. "Essa lacuna está começando a aparecer na confiança e na competitividade – e vai se ampliar rapidamente para aqueles que não agirem."

Confiança no crescimento a curto prazo cai entre CEOs

Enquanto lidam com a incerteza sobre o retorno do investimento em IA e a volatilidade geopolítica, os executivos demonstraram menos otimismo com as perspectivas de crescimento de curto prazo de suas empresas. Apenas 30% dos CEOs disseram estar muito ou extremamente confiantes no crescimento da receita para os próximos 12 meses. Esse índice era de 38% no relatório do ano anterior e chegou a 56% em 2022.

A PwC identificou que a estratégia mais eficaz para lidar com a incerteza futura é abraçar a reinvenção, inclusive por meio de fusões e aquisições e da entrada em novos setores. A consultoria encontrou uma "forte associação entre uma maior porcentagem da receita vinda de novos setores, margens de lucro maiores e maior confiança do CEO nas perspectivas de crescimento da empresa".

Setores com retornos mais altos e a lacuna de produtividade

Dados recentes do Morgan Stanley sobre empresas do S&P 500 indicam que certos setores estão obtendo retornos mensuráveis mais altos com a IA do que outros. Tecnologia, serviços de comunicação e finanças lideram a lista, enquanto empresas de energia sobem rapidamente no ranking.

Além da estratégia de negócios e da arquitetura de dados, o alinhamento dos funcionários é crucial. Uma pesquisa recente da EY sobre o uso da IA no trabalho descobriu que as empresas estão perdendo 40% dos ganhos de produtividade em potencial que poderiam alcançar com a estratégia correta.

"As empresas que terão sucesso serão aquelas dispostas a tomar decisões ousadas e investir com convicção nas capacidades que mais importam", concluiu Mohamed Kande, da PwC.