O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou nesta quarta-feira (21) que não cederá à pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para apoiar as exigências americanas sobre a compra da Groenlândia. A declaração ocorre após ameaças de Washington de impor tarifas comerciais à Grã-Bretanha e a países europeus.
Starmer defendeu uma "discussão calma" sobre o futuro do território ártico, que pertence à Dinamarca, e indicou que não pretende ampliar um confronto econômico com os EUA. O impasse ganhou força depois que Trump reverteu o apoio formal dos Estados Unidos a um acordo envolvendo as Ilhas Chagos, usando o tema como instrumento de pressão política sobre Londres.
Mudança de posição americana gera tensão
Na terça-feira (20), Trump criticou duramente o Reino Unido por concordar em transferir a soberania das Ilhas Chagos a Maurício. O acordo, anunciado anteriormente, é destinado a garantir o futuro da base aérea conjunta entre EUA e Reino Unido no local. Quando o entendimento foi divulgado, a Casa Branca havia manifestado apoio formal.
Segundo Starmer, a mudança de tom teve objetivo claro. “Não cederei, a Grã-Bretanha não cederá, em nossos princípios e valores sobre o futuro da Groenlândia sob ameaças de tarifas”, afirmou o primeiro-ministro aos parlamentares britânicos. Ele acrescentou que o futuro do território “deve ser decidido por seu povo e pela Dinamarca”.
Equilíbrio delicado na política externa britânica
O primeiro-ministro reconheceu a importância de manter laços estreitos com Washington em temas sensíveis, como a guerra na Ucrânia, mas rejeitou a ideia de subordinar decisões diplomáticas britânicas à pressão econômica. Para Starmer, romper relações com os Estados Unidos seria “imprudente”, mas se alinhar automaticamente também não é uma opção.
A disputa expõe um ponto sensível da política externa britânica pós-Brexit: preservar acordos comerciais e de segurança com seu principal aliado sem abrir mão de posições consideradas estratégicas e de princípios de autodeterminação.
Impacto no comércio e na segurança transatlântica
Com a ameaça de tarifas ainda sobre a mesa, o episódio aumenta as incertezas sobre o impacto de disputas geopolíticas no comércio transatlântico e na cooperação militar entre os dois países, que são membros fundadores da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Analistas apontam que a postura firme de Starmer busca estabelecer os limites da nova relação com os EUA, evitando que divergências em um tema específico, como a Groenlândia, contaminem a ampla agenda de cooperação bilateral, que inclui desde inteligência até comércio.