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O senador republicano Thom Tillis, da Carolina do Norte, anunciou que bloqueará a confirmação de qualquer indicado para presidência do Federal Reserve (Fed) enquanto uma investigação do Departamento de Justiça (DOJ) sobre o atual presidente, Jerome Powell, não for resolvida. A posição cria um obstáculo significativo para a nomeação de Kevin Warsh, favorito do ex-presidente Donald Trump para o cargo.

Tillis é membro do Comitê Bancário, de Habitação e de Assuntos Urbanos do Senado, responsável por analisar as nomeações para o Fed. Em uma postagem na rede social X na sexta-feira, o senador afirmou que sua oposição é uma questão de princípio para proteger a independência do banco central.

Impasse no comitê e apoio a Powell

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“Kevin Warsh é um indicado qualificado com um profundo entendimento de política monetária”, escreveu Tillis. “Proteger a independência do Federal Reserve de interferência política ou intimidação legal é não negociável”, acrescentou. A investigação do DOJ refere-se a renovações recentes no prédio do Fed, sobre as quais foram emitidos mandados de intimação de um grande júri.

Powell classificou o inquérito como uma tentativa de exercer pressão sobre a política monetária do banco central, recebendo apoio de autoridades monetárias de todo o mundo. Trump afirmou não ter conhecimento dos mandados antes de Powell torná-los públicos.

Cenário político desfavorável para Warsh

De acordo com as regras do Senado, uma nomeação precisa ser aprovada “favoravelmente” pelo comitê competente por maioria de votos antes de seguir para votação no plenário. Os democratas devem se opor amplamente à confirmação de Warsh, com muitos expressando preocupações sobre a independência do Fed.

A senadora Elizabeth Warren, principal democrata no comitê, disse em comunicado que “nenhum republicano que pretenda se importar com a independência do Fed deveria concordar em avançar com esta nomeação” nas circunstâncias atuais. Se Tillis e todos os democratas votarem contra Warsh, o comitê ficaria empatado em 12 a 12, travando a indicação.

Futuro incerto para a nomeação

Para contornar um impasse no comitê e levar a nomeação ao plenário, seriam necessários 60 votos no Senado – um cenário improvável, pois exigiria apoio democrata. O líder da maioria no Senado, John Thune, reconheceu o problema. Questionado na quinta-feira se Warsh poderia ser confirmado sem o apoio de Tillis, Thune respondeu: “Provavelmente não”, segundo reportagem do POLITICO.

O cenário é ainda mais complicado porque Tillis optou por não concorrer à reeleição neste ano, tornando mais difícil para Trump exercer pressão política para que ele mude de ideia.