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A Snap, empresa por trás do Snapchat, anunciou nesta quinta-feira (6) novos recursos de controle parental em sua plataforma. A novidade chega dois dias após a empresa ter chegado a um acordo extrajudicial em uma ação que a acusava de causar vício em mídias sociais e problemas de saúde mental a usuários.

Com as novas ferramentas, pais e responsáveis poderão ver, por meio do "Family Center" (Centro Familiar), quanto tempo seu adolescente passa no Snapchat. A funcionalidade também oferece detalhes sobre novos amigos adicionados pelo jovem na rede social.

Detalhes do monitoramento parental

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Os responsáveis agora têm acesso à média de tempo diário que o adolescente passou no aplicativo na semana anterior. O relatório detalha como esse tempo foi distribuído entre diferentes funções do app: bate-papo, envio de snaps, criação com a câmera, uso do Snap Map ou consumo de conteúdo no Spotlight e nos Stories.

Além disso, embora a lista completa de amigos do adolescente já fosse visível, os pais agora podem ver como o jovem provavelmente conhece um novo usuário adicionado. O sistema indica, por exemplo, se há amigos em comum, se o contato está salvo na agenda ou se pertencem a comunidades compartilhadas.

"Esses sinais de confiança facilitam que os pais entendam novas conexões e tenham maior confiança de que seu adolescente está conversando com alguém que conhece na vida real", escreveu a Snap em um post no blog oficial. "Se um pai ou responsável vê um novo amigo com quem não está familiarizado, ele tem as informações necessárias para iniciar uma conversa produtiva."

Contexto regulatório e histórico de ações judiciais

O Family Center foi lançado em 2022 como um conjunto de ferramentas de monitoramento parental, em resposta à pressão regulatória sobre a proteção de menores nos aplicativos. Desde então, a Snap ampliou a funcionalidade, incluindo a capacidade de ver com quem os adolescentes interagiram recentemente, definir restrições de tempo e bloquear o acesso ao chatbot My AI.

Os novos recursos surgem após a Snap ter encerrado, na terça-feira (4), um processo movido por um jovem de 19 anos, identificado nos autos como K.G.M. A ação acusava a empresa e outras gigantes das redes sociais de projetar algoritmos e funcionalidades que alimentavam o vício e prejudicavam a saúde mental dos usuários.

A ação judicial também cita outras plataformas, como Meta, YouTube e TikTok, mas nenhum acordo foi alcançado com essas empresas. O processo remanescente contra Meta, TikTok e YouTube deve prosseguir, com a seleção do júri começando em breve.

Preocupações internas e defesa da empresa

A Snap ainda é ré em outros casos sobre vício em mídias sociais. De acordo com documentos divulgados nos processos em andamento, funcionários da empresa levantaram preocupações sobre riscos à saúde mental dos adolescentes há nove anos. A companhia afirmou que os exemplos foram "selecionados a dedo" e tirados de contexto.

O acordo judicial e a expansão dos controles parentais ocorrem em um momento de crescente escrutínio de legisladores e reguladores sobre o impacto das redes sociais na saúde mental de jovens, especialmente após uma série de audiências no Congresso dos Estados Unidos.