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A startup Humans&, fundada por ex-funcionários da Anthropic, Meta, OpenAI, xAI e Google DeepMind, levantou US$ 480 milhões em uma rodada de financiamento semente. O objetivo da empresa, com apenas três meses de existência, é desenvolver um novo modelo de inteligência artificial focado em "inteligência social" e coordenação entre pessoas, e não apenas em responder perguntas ou gerar código.

"Parece que estamos terminando o primeiro paradigma de escalonamento, onde modelos de perguntas e respostas foram treinados para serem muito inteligentes em verticais particulares, e agora estamos entrando no que acreditamos ser a segunda onda de adoção", disse Andi Peng, cofundadora da Humans& e ex-funcionária da Anthropic, em entrevista ao TechCrunch.

Foco na colaboração, não na automação

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A proposta da Humans& é criar um "sistema nervoso central" para uma economia que combine humanos e IA, ajudando a gerenciar trabalhos colaborativos mais complexos, como coordenar pessoas com prioridades concorrentes, rastrear decisões de longo prazo e manter equipes alinhadas ao longo do tempo. A empresa acredita que preencher essa lacuna é a próxima grande fronteira para os modelos de fundação.

"Estamos construindo um produto e um modelo centrados em comunicação e colaboração", afirmou Eric Zelikman, cofundador e CEO da Humans& e ex-pesquisador da xAI. O foco, segundo ele, é fazer com que o produto ajude as pessoas a trabalharem juntas e se comunicarem de forma mais eficaz – tanto entre si quanto com ferramentas de IA.

Um novo tipo de treinamento para a IA

Para alcançar seu objetivo, a Humans& planeja redefinir a forma como os modelos de IA são treinados. A empresa utilizará técnicas de aprendizado por reforço de longo horizonte e multiagente.

O aprendizado por reforço de longo horizonte visa treinar o modelo para planejar, agir, revisar e seguir adiante ao longo do tempo, em vez de apenas gerar uma boa resposta pontual. Já o treinamento multiagente prepara a IA para ambientes onde múltiplos agentes de IA e/ou humanos estão envolvidos.

"O modelo precisa se lembrar de coisas sobre si mesmo, sobre você, e quanto melhor sua memória, melhor seu entendimento do usuário", explicou Yuchen He, cofundador da Humans& e ex-pesquisador da OpenAI.

Ambicioso, mas repleto de desafios

Apesar da equipe de peso e do capital inicial expressivo, a Humans& enfrenta riscos significativos. A empresa precisará de grandes somas de dinheiro continuamente para financiar o caro processo de treinar e escalar um novo modelo, competindo por recursos, incluindo poder de computação, com os grandes players estabelecidos.

Além disso, a startup não compete apenas com plataformas de colaboração como Slack, Google Docs e Notion. Ela desafia as próprias gigantes da IA, como Anthropic, Google e OpenAI, que já estão trabalhando em melhorias para colaboração humana em suas próprias plataformas.

A Humans& afirmou ao TechCrunch que já recusou propostas de aquisição e não tem interesse em ser comprada. "Acreditamos que esta será uma empresa geracional", disse Zelikman.