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Suprema Corte dos EUA questiona poder de Trump para demitir diretora do Fed

Suprema Corte dos EUA questiona poder de Trump para demitir diretora do Fed

Juízes expressam ceticismo sobre alegação de que presidente pode remover membros do banco central sem revisão judicial.

Redação
Redação
21 de janeiro de 2026

Oito dos nove ministros da Suprema Corte dos Estados Unidos expressaram ceticismo nesta quarta-feira (data da audiência) com a tentativa da administração do ex-presidente Donald Trump de demitir Lisa Cook de seu cargo no Conselho de Governadores do Federal Reserve (Fed), o banco central americano. A maioria dos juízes, incluindo nomeados por Trump, questionou a alegação do governo de que o Judiciário não tem autoridade para revisar o poder presidencial de demitir membros do Fed.

A audiência, acompanhada pessoalmente pelo atual presidente do Fed, Jerome Powell, pela própria Lisa Cook e pelo ex-presidente Ben Bernanke, pode ter amplas ramificações para a independência do banco central, um pilar da política monetária americana. O caso surge semanas após Powell revelar que o Departamento de Justiça abriu uma investigação criminal sobre reformas em seu escritório, que ele classifica como "pretexto" para pressão política.

O cerne da disputa: "com justa causa"

Membros do Conselho do Fed, como Lisa Cook – nomeada pelo presidente Joe Biden com mandato até 2038 –, só podem ser removidos "por justa causa". Trump tentou demiti-la em agosto, alegando que ela mentiu em formulários de hipoteca e, portanto, não poderia ser confiável em um cargo que influencia as taxas de juros do empréstimo. A demissão foi anunciada na rede social Truth Social, sem dar a Cook chance de se explicar.

Cook argumenta que a intenção real de Trump era substituí-la por um nomeado que reduzisse as taxas de juros mais rapidamente. A audiência de quarta não discutiu o mérito das acusações, mas se o Judiciário pode garantir que Cook mantenha o cargo enquanto a disputa legal segue nos tribunais inferiores.

Ceticismo transversal na Corte

O chefe de Justiça John Roberts e praticamente todos os outros ministros, exceto Clarence Thomas, duvidaram da ideia de que o Judiciário não pode verificar a legitimidade de uma demissão "por justa causa". "Se há qualquer nível de causa... então você não pode estar certo sobre a ideia de que um tribunal não pode ordenar a reintegração de alguém que foi removido", disse Roberts ao advogado do governo Trump, John Sauer.

O ministro Brett Kavanaugh, nomeado por Trump, foi incisivo: "Sua posição de que não há revisão judicial, nenhum processo exigido, nenhum remédio disponível, padrão muito baixo para causa, que o presidente sozinho determina — isso enfraqueceria, se não destruísse, a independência do Federal Reserve". Ele alertou que a posição do governo Trump poderia abrir a porta para um presidente democrata demitir todos os nomeados republicanos no Fed usando alegações "triviais".

Processo "apressado" e risco de recessão

O ministro Samuel Alito questionou por que o caso foi tratado de maneira "apressada" e "superficial", observando que nenhum tribunal examinou os fatos sobre a hipoteca. A ministra Amy Coney Barrett, também nomeada por Trump, expressou preocupação com o risco de uma recessão e questionou por que Trump não deu a Cook a oportunidade de se defender em uma reunião. "Sentar-se à mesa na sala Roosevelt... dar a ela uma chance de se defender. Quer dizer, isso não seria grande coisa", disse Barrett.

Após as arguições, o advogado de Cook, Paul Clement, resumiu: "Se não há revisão judicial, então tudo isso é uma piada", afirmando que a tese do governo anula o padrão "por justa causa". A decisão da Suprema Corte, esperada para junho, definirá os limites do poder presidencial sobre o banco central americano.

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