O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump ameaçou impor tarifas de importação a oito países europeus, incluindo Alemanha, França, Holanda e Finlândia. A medida, anunciada em uma publicação na rede social Truth Social, é uma resposta ao envio de tropas dessas nações para a Groenlândia no início de janeiro, um movimento que Trump classificou como um risco à "Paz e Segurança Global".
As novas tarifas começariam em 10% a partir de fevereiro e poderiam subir para 25% em junho. Trump afirmou que as taxas permanecerão em vigor até que um acordo para a compra da Groenlândia pelos EUA seja alcançado. Em declaração no Fórum Econômico Mundial em Davos, o ex-presidente descartou o uso de força para adquirir o território, mas reafirmou o interesse americano.
Impacto econômico e produtos afetados
Os Estados Unidos importaram um total de US$ 365 bilhões em bens dos oito países alvo em 2024. Os setores que mais sentiriam o impacto das tarifas são o farmacêutico e o automotivo. As importações de preparações farmacêuticas somaram cerca de US$ 44 bilhões, enquanto a entrada de carros de passageiros novos ou usados atingiu quase US$ 40 bilhões no ano passado.
Outros produtos significativos na pauta de importações incluem aeronaves, motores industriais, artigos de toucador e cosméticos. A ameaça tarifária surge em um momento de tensões comerciais renovadas entre os EUA e a Europa.
Reação europeia e contexto da disputa
Os países europeus afetados emitiram uma declaração conjunta condenando as ameaças. "As ameaças de tarifas minam as relações transatlânticas e arriscam uma perigosa espiral descendente", afirmaram. "Continuaremos unidos e coordenados em nossa resposta."
A disputa remonta ao interesse público de Trump em comprar a Groenlândia quando era presidente, uma proposta rejeitada pela Dinamarca, que administra o território autônomo. O envio recente de tropas europeias, descrito por Trump como tendo "propósitos desconhecidos", reacendeu o conflito.
Analistas apontam que a escalada retórica ocorre em um contexto de eleições presidenciais nos EUA e pode afetar cadeias de suprimentos críticas, especialmente a de medicamentos. A implementação das tarifas dependerá do resultado eleitoral e da capacidade de Trump, se eleito, de colocar a medida em prática.