Publicidade

O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump moveu uma ação judicial de US$ 5 bilhões contra o banco JP Morgan Chase e seu presidente-executivo, Jamie Dimon. A ação, movida em 2025, alega que o banco encerrou suas contas e de empresas de sua família por motivos políticos, prática conhecida como "debanking". O JP Morgan nega qualquer irregularidade, afirmando que decisões de fechamento de contas são baseadas em avaliações de risco legal e regulatório.

A relação pública entre Trump e Dimon, um dos banqueiros mais influentes do mundo, é marcada por uma década de oscilações entre respeito mútuo e hostilidade aberta. Enquanto Dimon já elogiou políticas econômicas de Trump, como a reforma tributária, também criticou publicamente sua retórica e posições, como tarifas comerciais.

Uma relação de altos e baixos

Publicidade

Jamie Dimon, que se descreveu como "quase um democrata", inicialmente evitou endossos públicos em eleições presidenciais. Após a vitória de Trump em 2016, ele integrou o Fórum Estratégico e de Políticas do então presidente, grupo dissolvido em 2017 após a resposta de Trump aos protestos em Charlottesville.

Em 2018, a tensão aumentou quando Dimon declarou em um evento do JP Morgan que poderia "derrotar Trump" em uma eleição. "Porque sou tão durão quanto ele, sou mais inteligente do que ele", disse, acrescentando que construiu sua fortuna, que "não foi um presente do papai". Dimon depois recuou, dizendo que os comentários provavam que ele não seria um bom político. Trump respondeu no X, então Twitter, afirmando que Dimon não tinha "aptidão ou 'inteligência'".

O estopim do processo

De acordo com a ação judicial, o JP Morgan informou a Trump em fevereiro de 2021 que estava encerrando suas contas pessoais e de algumas empresas de sua família. Trump e outros conservadores vêm criticando o que chamam de "debanking" politicamente motivado nos últimos meses.

Em um comunicado de janeiro de 2025, o JP Morgan afirmou: "Lamentamos ter que fazer isso, mas muitas vezes regras e expectativas regulatórias nos levam a isso". O banco argumenta que alguns fechamentos são necessários "porque criam risco legal ou regulatório para a empresa".

Novas rusgas na corrida eleitoral

O relacionamento enfrentou novos atritos durante as primárias republicanas de 2024. Dimon elogiou publicamente a candidata Nikki Haley e aconselhou democratas a apoiá-la. "Mesmo que você seja um democrata muito liberal, eu o exorto, ajude Nikki Haley também", disse ele no DealBook Summit. Trump retaliou chamando Dimon de "globalista altamente supervalorizado" em uma publicação no Truth Social.

No entanto, em uma reviravolta, Trump expressou respeito por Dimon em uma entrevista à Bloomberg Businessweek em 2024, sugerindo que poderia considerá-lo para Secretário do Tesouro. A cortesia foi breve. Mais tarde, Trump afirmou erroneamente nas redes sociais que Dimon o havia endossado, alegação rapidamente desmentida por um porta-voz do banco.

Conflito se amplia para políticas econômicas

Além do processo, Dimon tem se oposto vocalmente a novas propostas econômicas de Trump. Ele classificou a proposta de Trump de limitar os juros do cartão de crédito em 10% como um "desastre econômico", prevendo que poderia cortar o crédito para 80% dos americanos.

Em janeiro de 2025, após Trump assinar uma ordem executiva contra o "debanking" politizado, o ex-presidente disse à CNBC que o JP Morgan e o Bank of America se recusaram a aceitar seus depósitos, acusando as instituições de "discriminar muitos conservadores". Essas alegações culminaram no processo de US$ 5 bilhões.

O futuro de uma parceria improvável

Apesar das disputas legais e políticas, Dimon deixou a porta aberta para uma colaboração futura. Em entrevista à Câmara de Comércio, ele afirmou que "consideraria" o cargo de Secretário do Tesouro se fosse oferecido, mas precisaria entender "o que eles querem e como querem operar". Ele foi categórico, no entanto, em recusar qualquer possibilidade de se tornar presidente do Federal Reserve.

O caso judicial segue em aberto, com o JP Morgan se preparando para contestar as alegações de Trump. O desfecho pode redefinir não apenas a relação entre os dois magnatas, mas também os limites entre decisões financeiras e alegações de discriminação política no sistema bancário americano.